Como calcular a demanda | Passo a passo e exemplos

Escrito por
Felipe Hernandez
August 18, 2026
20 min de lectura
Como calcular a demanda | Passo a passo e exemplos
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Tabela de conteúdos

Se sua meta é crescer de forma lucrativa, é importante que você saiba como calcular a demanda de forma adequada para sua empresa.

O cálculo da demanda permite que você entenda como seu mercado vai se comportar, para que, com base nesses dados, você alinhe suas áreas estratégicas e ajuste suas operações, desde compras e fornecedores até a distribuição para seus clientes.

Aqui compartilhamos os pontos-chave que você deve ter em mente sobre como projetar a demanda por produtos ou serviços.

O que é demanda e o que significa calcular a demanda em uma empresa?

Demanda é a quantidade de um produto ou serviço que os consumidores estão dispostos a comprar a um preço determinado, em um período determinado. Em economia, é expressa como uma relação entre preço e quantidade demandada; na sua operação, é expressa em unidades por SKU, canal e localização.

Calcular a demanda é a estimativa, baseada em dados, de quantas unidades você vai vender por período, canal e localização. O processo analisa o número de produtos ou serviços que os consumidores estão dispostos a comprar nas diferentes combinações ou hierarquias da sua empresa, que podem incluir diferentes localizações, canais, preços e outras condições de mercado. Feito com rigor, pode alcançar mais de 95% de precisão, reduzir 2,5× o excesso de estoque e cortar 4× as rupturas de estoque.

Por que é importante calcular a demanda?

Porque uma projeção confiável se traduz em dinheiro. Ao coletar informações sobre o comportamento dos seus consumidores e calcular a demanda por um produto ou serviço, sua empresa poderá conhecer as necessidades e expectativas dos seus clientes, entender a concorrência, identificar altas e baixas temporadas e entender quais situações afetam as vendas de um produto específico.

Tipos de demanda

No nível econômico, existem diferentes tipos de demanda no mercado. Estes são os mais importantes:

Demanda direta

Refere-se ao tipo mais simples de demanda, em que você identifica quantas pessoas estão planejando comprar um produto.

Exemplo de demanda direta: 5.000 pessoas preenchem um formulário para a pré-venda de um celular. Cada cadastro representa uma intenção explícita de compra, então o fabricante pode estimar uma demanda direta inicial de 5.000 unidades.

Demanda indireta

Está relacionada a produtos que são necessários para a fabricação de outros. Se a demanda pelo produto final aumentar, o insumo usado na sua fabricação também será afetado.

Exemplo de demanda indireta: As vendas de carros elétricos crescem em um país. Como consequência, sobe a demanda por estações de recarga. Para fabricá-las são necessários carregadores de alta potência, conectores, cabos grossos, transformadores e o software que as controla. A demanda por recarregar carros empurra, indiretamente, a demanda de todos esses componentes.

Demanda latente

Nesse caso, não é possível atender à demanda por um produto ou serviço porque o consumidor não sabe da existência da solução, não pode pagar por ela ou o produto simplesmente não está disponível.

Exemplo de demanda latente: Antes de existirem serviços como Uber ou 99, milhões de pessoas precisavam de transporte porta a porta flexível, mas não sabiam que um aplicativo poderia resolver isso. A necessidade existia (latente), mas a solução não era visível nem acessível.

Demanda conjunta

Se dois produtos se complementam ou estão diretamente relacionados, eles afetam a demanda um do outro.

Exemplo de demanda conjunta: Máquinas de café em cápsula e as cápsulas compatíveis. Quando sobem as vendas da máquina, aumenta a demanda por cápsulas, porque o produto principal depende do consumível complementar.

Demanda irregular

Varia de forma imprevisível ao longo do tempo, seja por tendências de moda, eventos ou fatores sazonais.

Exemplo de demanda irregular: Uma tempestade inesperada faz as pessoas correrem às lojas e as vendas de guarda-chuvas disparam em poucas horas. Quando o tempo melhora, as vendas caem de novo. Como esses picos sobem e descem sem um padrão estável, falamos de demanda irregular.

Demanda negativa

Apresenta-se com produtos ou serviços que seus consumidores em potencial tendem a evitar ativamente.

Exemplo de demanda negativa: As consultas ao dentista. Muita gente evita ir por medo da dor, ansiedade, más lembranças ou custo percebido. O serviço existe, a necessidade é real (saúde bucal), e mesmo assim os pacientes se recusam ativamente a marcar até que o problema fique grave.

Demanda plena

É quando a demanda é igual ou maior que a capacidade de produção ou fornecimento de um produto ou serviço.

Exemplo de demanda plena: Uma fábrica pode produzir 10.000 pares de sapatos por mês e recebe pedidos confirmados de 10.000 a 10.500 pares mensais de forma sustentada. A demanda absorve toda a capacidade, ou a excede ligeiramente, mantendo a operação trabalhando a plena capacidade.

Excesso de demanda

Ocorre quando a demanda é maior do que a oferta disponível em um mercado.

Exemplo de excesso de demanda: Entra à venda um lote de 50.000 ingressos para um show em estádio, mas 200.000 fãs tentam comprar. Os ingressos se esgotam em minutos e milhares ficam sem atendimento. A demanda supera a oferta disponível no curto prazo.

Demanda excessiva

Aqui a demanda também é maior, mas em um nível que não é saudável nem sustentável para a sociedade. Alguns textos de marketing a chamam de demanda indesejada.

Exemplo de demanda excessiva: Durante uma crise, as pessoas compram e estocam fórmula infantil ou papel higiênico muito acima das suas necessidades reais. Isso não apenas supera a oferta: gera desabastecimento para outros, distorce preços e pode exigir racionamento ou intervenção regulatória.

Informações a serem consideradas em uma análise de demanda

Para fazer uma projeção e um planejamento da demanda, há várias variáveis a considerar, já que se buscam resultados claros e confiáveis. Para conseguir isso, é necessário considerar também a oferta.

Portanto, recomendamos que você considere as seguintes informações:

Fatores que afetam a oferta

As principais informações sobre a oferta consistem em 4 aspectos, sobre os quais sua empresa deve sempre ter muita clareza para alcançar um crescimento sustentável:

  • Preço: o fator preço é fundamental porque, se aumentar, a oferta do produto ou serviço também aumentará, porque os produtores estarão mais dispostos a participar do mercado.
  • Oferta competitiva ou conjunta: dois casos particulares se apresentam aqui. Por um lado, se um concorrente mudar a fabricação de um produto para outro, aquele que foi substituído se tornará menos lucrativo. No caso da oferta conjunta, ela ocorre quando o aumento de preço de um produto afeta outro.
  • Custo de produção: se os custos de produção aumentarem, a oferta será reduzida, pois a fabricação será menos lucrativa.
  • Variação na disponibilidade de recursos: quando um produto que serve como matéria-prima se torna escasso, ele fica mais difícil de produzir, então a oferta diminui.

Fatores que afetam a demanda

Quando se trata de fatores que afetam a demanda por um produto ou serviço, há vários aspectos que todas as empresas devem levar em consideração, como:

  • Poder de compra do público-alvo: nem todas as pessoas têm o mesmo nível de renda, nem a capacidade de comprar qualquer tipo de produto ou serviço. Esse aspecto deve estar bem identificado na sua empresa.
  • Preferências e gostos do seu público: uma empresa deve entender as necessidades dos seus consumidores; isso aproxima você deles.
  • Preços de produtos complementares ou similares: a demanda pelo seu produto será afetada pelos preços dos produtos relacionados ao seu, sejam eles substitutos ou complementares. Isso ocorre porque os consumidores tendem a avaliar todo o entorno.
  • Volume de clientes em potencial: identifique se sua empresa tem produtos de nicho ou se, ao contrário, seu produto é de consumo em massa.

Como calcular a demanda passo a passo

A seguir compartilhamos as etapas que você deve seguir para calcular a demanda de um produto ou serviço, a fim de entender a quantidade que os consumidores estariam dispostos a comprar e, assim, entender melhor o mercado para alcançar um crescimento lucrativo.

1. Coleta de dados

Ser capaz de definir quais são suas fontes de dados e como você vai acessá-las para processá-las é a primeira etapa quando você está se preparando para analisar a demanda por um produto.

Dados históricos

Examine sua demanda histórica para entender padrões e tendências. A quantidade de tempo a ser considerada dependerá da técnica que você deseja usar.

Lembre-se de que a demanda equivale à relação entre os pedidos recebidos e os produtos faturados. Se você não está fazendo o acompanhamento adequado das suas rupturas de estoque, precisa encontrar uma maneira de capturar essa informação — sem ela você não está calculando demanda, está calculando vendas.

Geralmente, a base para o cálculo da demanda por produtos ou serviços pode ser encontrada no ERP (Enterprise Resource Planning).

Outras fontes de dados internas

A aceleração do processo de transformação digital levou as empresas a adquirir novas ferramentas para suas vendas e cadeia de suprimentos, como WMS (Warehouse Management System), MRP (Material Requirements Planning), TMS (Transportation Management System) e CRM (Customer Relationship Management), entre outras.

Você deve considerar as ferramentas que podem ajudá-lo a ter um cálculo muito mais preciso da demanda por produtos ou serviços, dependendo de como você define seu processo.

Fontes de dados externas

É cada vez mais importante que as empresas consigam identificar quais fontes de dados externas podem impactar o comportamento do seu mercado, a fim de obter projeções mais precisas. É fundamental verificar se sua fonte de informação é estável e confiável antes de integrá-la ao processo de cálculo da demanda.

Se o seu setor exigir, você pode realizar pesquisas de mercado, como enquetes, entrevistas ou análise de dados secundários relacionados aos seus produtos ou serviços, para obter informações sobre preferências e comportamentos do mercado ou do consumidor.

Quanto mais variáveis e fontes de dados você quiser integrar, mais robusto deverá ser o seu método de processamento de informações — modelos de machine learning e deep learning, por exemplo — para conseguir extrair insights de valor de dados complexos e uma projeção de demanda mais confiável.

Tenha em mente que a qualidade dos resultados que você obtém dependerá da qualidade dos seus dados e das suas fontes.

2. Identificação de variáveis

Definir as variáveis relevantes para sua empresa vai ajudá-lo a estabelecer mecanismos que contribuam para melhorar a precisão no cálculo da demanda por produtos ou serviços.

  • Preço: você tem clareza sobre se as variações de preço afetam a quantidade demandada? Quão volátil é o comportamento dos preços das suas matérias-primas e como isso afeta o preço dos seus produtos?
  • Renda: você avaliou se existe alguma relação entre a renda dos consumidores e a demanda pelos seus produtos?
  • Gostos e preferências: sua demanda é sensível às mudanças nas preferências do consumidor? Como você pode obter essas informações?
  • Fatores externos: variáveis externas como economia, política, demografia e tendências de mercado afetam o comportamento da sua demanda? Quais são as variáveis mais representativas no seu setor?

Que outra variável pode afetar a demanda pelos seus produtos ou serviços e é considerada representativa no seu setor?

3. Selecione a fórmula ou modelo de planejamento de demanda

Existem vários modelos para projetar sua demanda, e selecionar o modelo certo é essencial nas empresas que desejam alcançar melhores resultados.

Você já percebeu que o mesmo produto pode se comportar de forma diferente dependendo de como você o analisa? Ou seja, se você observar o comportamento do mesmo produto em diferentes localizações, canais ou combinações, cada um deles pode ter um comportamento diferente.

Alguns terão um comportamento mais estável e outros mais variável, e é por isso que recomendamos não depender de um único modelo de previsão de demanda para seus produtos ou serviços.

Métodos causais

Os métodos causais são técnicas utilizadas pelas empresas para projetar a demanda por produtos ou serviços por meio da identificação e da análise das causas que influenciam essa demanda.

  • Modelos de regressão linear: baseiam-se em técnicas estatísticas para identificar relações entre variáveis.
y = α + βx

Por exemplo, imagine que você vai prever a demanda por sorvetes (y) com base na temperatura (x). Supondo que você coletou dados e quer calcular a regressão linear:

  • y = A variável dependente que você quer prever: quantos sorvetes vou vender?
  • x = A variável independente, neste caso a temperatura.
  • α = Valor de origem, que representa o valor das vendas quando a temperatura é igual a zero.
  • β = Inclinação, que indica quanto mudam as vendas de sorvetes a cada mudança unitária na temperatura.
y (Quantidade de sorvetes a vender) = α (50) + β (2) × x (Temperatura)

Isso significa que, segundo o modelo, a cada grau adicional de temperatura espera-se que as vendas de sorvetes aumentem em 2 unidades.

  • Modelos de regressão múltipla: envolvem múltiplas variáveis independentes. A regressão múltipla é útil quando é necessário prever uma variável dependente (como as vendas de sorvetes) em função de duas ou mais variáveis independentes (como preço, publicidade e temperatura). A equação de regressão múltipla pode ser expressa da seguinte maneira:
y = α + β₁x₁ + β₂x₂ + β₃x₃

Tomando como base o exemplo anterior, a demanda por sorvetes (y) será prevista com base no preço (x₁), na publicidade (x₂) e na temperatura (x₃).

y = α + β₁ (Preço) + β₂ (Publicidade) + β₃ (Temperatura)
y (Demanda de sorvetes) = α (1.000) − (50 × Preço) + (20 × Publicidade) + (2 × Temperatura)

Isso significa que, segundo nosso modelo, espera-se que as vendas diminuam em 50 unidades a cada aumento no preço, aumentem em 20 unidades a cada unidade adicional de investimento em publicidade e aumentem em 2 unidades a cada grau adicional de temperatura.

Séries temporais

Uma série temporal é um conjunto de dados que representa observações coletadas de forma sequencial, geralmente em intervalos uniformes.

  • Média móvel simples: método estatístico utilizado para analisar dados temporais e suavizar as flutuações de curto prazo, a fim de identificar tendências ou padrões de longo prazo de uma série temporal. A projeção da demanda com uma média móvel simples requer calcular a média da demanda de um produto em intervalos de tempo sucessivos, com a seguinte equação:
y = ( Σ Demandaᵢ ) ÷ n

Onde:

  • y = Projeção da demanda de sorvetes; equivale à estimativa da demanda do próximo período.
  • n = Número de períodos incluídos na média móvel.
  • Demandaᵢ = Vendas no período i.

Para o caso da projeção da demanda mensal de sorvetes, será feita uma média simples de 3 meses.

y = ( Vendast−3 + Vendast−2 + Vendast−1 ) ÷ 3
y = ( Demanda de janeiro + Demanda de fevereiro + Demanda de março ) ÷ 3
y = ( 50 + 30 + 60 ) ÷ 3 = 46,6 ↦ média de 47 sorvetes/mês

A média móvel simples é útil para suavizar as flutuações sazonais e destacar tendências de médio prazo na demanda ou nas vendas de produtos. Ajuste o valor de n conforme a qualidade dos dados e a frequência das flutuações que você deseja suavizar.

  • Suavização exponencial: é similar à média móvel, mas atribui pesos aos dados históricos para dar mais relevância à informação mais recente.
Ft+1 = α Yt + (1 − α) Ft
  • Ft+1: Estimativa da demanda do próximo período.
  • Yt: Demanda no período atual.
  • Ft: Estimativa da demanda para o período atual.
  • α: Fator de suavização exponencial. Determina a rapidez com que o modelo reage a novas observações, com um valor entre 0 e 1.

Quando α está próximo de 1, dá-se mais peso aos dados mais recentes, fazendo com que o modelo reaja rapidamente a mudanças na demanda. Quando α está próximo de 0, o modelo tende a ser mais estável e menos sensível a variações recentes. A seguir, um exemplo:

Se Yt = 100 sorvetes e Ft = 90 sorvetes para o mês atual, e se define α = 0,2 para dar mais peso aos valores recentes, o cálculo seria:

Ft+1 = 0,2 × 100 + (1 − 0,2) × 90 = 20 + 72 = 92 sorvetes projetados para o próximo período.
  • Decomposição de séries temporais: usada para desdobrar uma série temporal em seus componentes fundamentais — tendência, sazonalidade e erro — com o objetivo de obter projeções mais precisas.
Yt = Tt + St + Et
  • Yt: Demanda no período t.
  • Tt: Representa a direção da demanda ao longo do tempo (ascendente, decrescente, constante).
  • St: Reflete padrões repetitivos de curto prazo.
  • Et: Variação entre a tendência e a sazonalidade.

O caso a seguir serve como exemplo de cálculo de demanda com decomposição de séries temporais:

  • Yt = 100 sorvetes para o tempo t.
  • Tt = 90 sorvetes como tendência de longo prazo.
  • St = 20 sorvetes equivalentes a um padrão sazonal.
Et = Yt − Tt − St = 100 − 90 − 20 = −10 sorvetes de erro residual.
  • Previsão colaborativa: busca a colaboração entre diferentes stakeholders — áreas internas, parceiros comerciais, fornecedores ou até clientes estratégicos — para gerar previsões mais precisas e baseadas em diversas fontes de informação. Nas áreas internas, permite alinhar a visão de várias áreas estratégicas dentro da cadeia de suprimentos, como vendas, marketing, operações e finanças, incluindo informações como negociações, restrições de fornecedores e campanhas de marketing.

Vejamos a seguir um exemplo que nos fornece os seguintes dados:

  • Marketing sugere que as próximas promoções podem aumentar a demanda em 10%.
  • Vendas traz informações sobre tendências de mercado e prevê um aumento de 5% devido à temporada de Natal.
  • Produção identifica restrições na cadeia de suprimentos que poderiam afetar negativamente as vendas, estimando uma redução de 3%.
Previsão colaborativa = Previsão base + Aporte de Marketing + Aporte de Vendas + Aporte de Operações
= 1.000 + (1.000 × 0,10) + (1.000 × 0,05) − (1.000 × 0,03) = 1.120 sorvetes

Com parceiros comerciais ou clientes estratégicos, permite incluir sell-out, negociações e participação em campanhas de marketing, entre outros.

Com fornecedores, permite antecipá-los ou levar em conta as restrições que eles possam ter para atender aos níveis de serviço.

Esse cálculo da demanda permite levar em consideração, por exemplo, negociações que estão sendo realizadas com clientes, campanhas de marketing e outros fatores que podem afetar a área de operações e os níveis de serviço aos clientes.

Modelos de inteligência artificial

Se você precisa analisar grandes volumes de informação e incluir variáveis complexas, o ideal é recorrer ao uso de modelos de inteligência artificial, pela velocidade e precisão com que conseguem processar grandes volumes de dados para projetar cenários prováveis de demanda.

Existem vários métodos de inteligência artificial para processar previsões de demanda, que podem incluir aprendizado supervisionado e não supervisionado: machine learning, redes neurais, deep learning e inteligência artificial generativa. Eles dão às empresas acesso a novos níveis de análise avançada, como modelos preditivos, prescritivos ou cognitivos.

Alguns dos mais usados são os modelos de machine learning, que passam por aprendizado supervisionado para que, a partir de dados históricos, possam aprender com os padrões e fazer projeções de demanda futura.

4. Estabelecimento de cenários

Estabelecer cenários é uma etapa fundamental no processo de cálculo da demanda por produtos ou serviços. Ao analisar diferentes situações hipotéticas ou possíveis mudanças, as empresas podem se antecipar e estar preparadas para várias situações que podem afetar a demanda.

  • Cenários de preço: analisa como diferentes níveis de preço afetam a demanda.
  • Cenários econômicos: considera diversas situações econômicas e seu impacto na demanda.
  • Elasticidade-preço da demanda: mede a sensibilidade da demanda às mudanças no preço.
  • Cenário de promoções e eventos: avalia o impacto de promoções, descontos ou outros eventos de marketing na demanda para otimizar as estratégias comerciais.
  • Cenário de sazonalidade: considera padrões sazonais para antecipar aumentos ou reduções previsíveis na demanda, como em temporadas de férias ou eventos específicos.
  • Cenário de mudança de tendência: analisa e projeta mudanças nas tendências de demanda, seja por fatores externos, mudanças na preferência do consumidor ou inovações no mercado.
  • Cenário de introdução de novos produtos: projeta a demanda ao lançar novos produtos no mercado, considerando a aceitação do consumidor e a concorrência.
  • Cenário de escassez de suprimentos: antecipa o impacto de possíveis interrupções na cadeia de suprimentos sobre a demanda e permite tomar medidas preventivas.
  • Cenário de mudanças nas políticas governamentais: avalia como mudanças nas políticas governamentais, como regulamentações comerciais ou tributárias, podem afetar a demanda.

Fórmulas e equações da demanda: qual usar em cada caso

Três termos são usados como sinônimos na prática e não são a mesma coisa. Vale separá-los antes de escolher uma fórmula:

  • A função de demanda é a relação entre o preço e a quantidade que o mercado está disposto a comprar. Escreve-se como Q = a − bP.
  • A equação da demanda é essa mesma relação com os números do seu negócio já colocados: se a = 1.200 e b = 15, sua equação é Q = 1.200 − 15P.
  • A equação de oferta e demanda é o ponto onde as duas curvas se cruzam (Qd = Qs). Ali está o preço no qual o mercado se esvazia: nem sobra estoque nem ficam pedidos sem atender.
Q = a − bP
Q = quantidade demandada · P = preço · a = demanda quando o preço é zero · b = sensibilidade ao preço

Se você vende a R$ 80 com a = 1.200 e b = 15, sua demanda projetada é Q = 1.200 − (15 × 80) = 0 unidades. Baixando para R$ 60, passa a 1.200 − 900 = 300 unidades. Esse é o exercício que diz até onde você pode mexer no preço antes que a demanda desabe.

Agora, o preço raramente é a única variável. Esta tabela ajuda a escolher o método que corresponde aos dados que você realmente tem:

Método Fórmula Quando usar Dados necessários
Função (equação) de demanda Q = a − bP O preço é o que mais move suas vendas Histórico de preço e unidades vendidas
Equilíbrio de oferta e demanda Qd = Qs Você quer achar o preço no qual o mercado se esvazia Equação de demanda e equação de oferta
Regressão linear y = α + βx Uma única variável externa explica a demanda Série histórica + essa variável
Regressão múltipla y = α + β1x1 + β2x2 + β3x3 Várias variáveis atuam ao mesmo tempo Série histórica + 2 ou mais variáveis
Média móvel simples y = ( Σ Demandai ) ÷ n Demanda estável, sem tendência marcada n períodos de histórico
Suavização exponencial Ft+1 = αYt + (1 − α)Ft Você quer que o mais recente pese mais Demanda atual + previsão atual
Decomposição de séries temporais Yt = Tt + St + Et Há sazonalidade clara Dois ciclos completos de histórico ou mais
Previsão colaborativa Base + aportes por área Há promoções, campanhas ou restrições conhecidas Previsão base + inputs de vendas, marketing e operações

Demanda de mercado, potencial e real: não são o mesmo número

É aqui que as equipes mais erram. Calcula-se um número, chama-se de "demanda" e ele acaba dirigindo três decisões diferentes que precisam de três números diferentes.

Tipo de demanda O que mede Como se calcula Para qual decisão serve
Demanda de mercado Tudo o que o mercado compra na sua categoria Compradores potenciais × frequência de compra × ticket médio Dimensionar a oportunidade antes de entrar ou ampliar o portfólio
Demanda potencial O teto teórico se todos os que podem comprar comprassem População-alvo × consumo per capita Definir metas comerciais e avaliar a margem de crescimento
Sua demanda (participação) A parte da demanda de mercado que cabe a você Demanda de mercado × sua participação de mercado Planejar compras e produção
Demanda real (efetiva) O que de fato foi pedido, tenha sido entregue ou não Vendas faturadas + pedidos não atendidos Alimentar a previsão; é o número que deve entrar no modelo
Demanda insatisfeita O que pediram e você não conseguiu entregar Demanda real − vendas faturadas Quantificar em reais o que a ruptura de estoque custa

Conclusões

O cálculo da demanda é um processo dinâmico que requer uma compreensão profunda do mercado e uma adaptação constante às mudanças nas principais variáveis.

Usando ferramentas analíticas e modelos matemáticos, as empresas podem projetar a demanda por um produto ou serviço para tomar decisões com base em dados e, assim, atender às novas necessidades dos consumidores e se manter competitivo no mercado.

Perguntas frequentes

Qual é a fórmula da demanda?

A fórmula base é a função linear de demanda Q = a − bP, onde Q é a quantidade demandada, P o preço, a a demanda quando o preço é zero e b a sensibilidade ao preço. Com o seu histórico de vendas você ajusta a e b — em planilha ou no seu ERP — e obtém uma previsão rápida. Se a sua demanda depende de mais variáveis além do preço, você passa para regressão múltipla ou para séries temporais. Integrando mais de 200 variáveis externas (clima, promoções, PIB), a precisão pode chegar a 95%.

O que é a equação da demanda e o que significa oferta e demanda?

A equação da demanda é a expressão matemática que relaciona o preço de um produto com a quantidade que o mercado está disposto a comprar: Q = a − bP. A função de demanda é essa mesma relação vista como função, e a equação de oferta e demanda é o ponto onde as duas curvas se cruzam (Qd = Qs), ou seja, o preço no qual o mercado se esvazia. Com a = 1.200 e b = 15, a R$ 60 sua demanda projetada é de 300 unidades.

Como calcular a demanda média, mensal e anual de um produto?

Divida a demanda do período pelos dias ou meses efetivos de venda. Exemplo: você vendeu 3.000 unidades em 30 dias úteis ⇒ demanda diária = 100 unidades. Para a demanda mensal, some os pedidos recebidos mais os pedidos não atendidos do mês. Para a demanda anual, multiplique a mensal por 12 apenas se a sua demanda não tiver sazonalidade; se tiver, some os doze meses reais. Se a demanda for irregular, use uma média móvel de 7 dias para suavizar os picos.

Como calcular a demanda de mercado?

Multiplique o número de compradores potenciais pela frequência de compra e pelo ticket médio. Se na sua região há 120.000 domicílios que compram galões de água, cada um compra 4 por mês e o preço é de R$ 25, a demanda de mercado é de 480.000 galões por mês, ou seja R$ 12 milhões. A sua demanda é esse número multiplicado pela sua participação de mercado: com 8%, 38.400 galões.

O que é demanda e qual a diferença entre demanda potencial, real e insatisfeita?

Demanda é a quantidade de um produto ou serviço que os consumidores estão dispostos a comprar a um preço determinado, em um período determinado. A demanda potencial é o teto teórico: o que seria comprado se todos os que podem comprar comprassem. A demanda real ou efetiva é o que de fato foi pedido, incluindo os pedidos que você não conseguiu atender. A diferença entre demanda real e vendas faturadas é a sua demanda insatisfeita, e é o número que diz quanto a ruptura de estoque está custando.

Como calcular a demanda de um produto novo sem histórico?

Sem histórico você não pode usar séries temporais. Trabalha-se com três fontes: a demanda de um produto análogo do seu portfólio, a demanda de mercado da categoria multiplicada pela participação que você espera capturar, e os sinais diretos de intenção de compra (pré-vendas, cadastros, listas de espera). Com essas três você monta um cenário base, um otimista e um pessimista, e os ajusta com a venda real das primeiras semanas.

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Como calcular a demanda | Passo a passo e exemplos

Felipe Hernandez

Felipe se especializou na aplicação de inteligência artificial para otimizar as cadeias de suprimentos, ajudando as empresas a prever a demanda, gerenciar estoques e determinar os momentos ideais para comprar matérias-primas.

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