
Se sua meta é crescer de forma lucrativa, é importante que você saiba como calcular a demanda de forma adequada para sua empresa.
O cálculo da demanda permite que você entenda como seu mercado vai se comportar, para que, com base nesses dados, você alinhe suas áreas estratégicas e ajuste suas operações, desde compras e fornecedores até a distribuição para seus clientes.
Aqui compartilhamos os pontos-chave que você deve ter em mente sobre como projetar a demanda por produtos ou serviços.
Demanda é a quantidade de um produto ou serviço que os consumidores estão dispostos a comprar a um preço determinado, em um período determinado. Em economia, é expressa como uma relação entre preço e quantidade demandada; na sua operação, é expressa em unidades por SKU, canal e localização.
Calcular a demanda é a estimativa, baseada em dados, de quantas unidades você vai vender por período, canal e localização. O processo analisa o número de produtos ou serviços que os consumidores estão dispostos a comprar nas diferentes combinações ou hierarquias da sua empresa, que podem incluir diferentes localizações, canais, preços e outras condições de mercado. Feito com rigor, pode alcançar mais de 95% de precisão, reduzir 2,5× o excesso de estoque e cortar 4× as rupturas de estoque.
Porque uma projeção confiável se traduz em dinheiro. Ao coletar informações sobre o comportamento dos seus consumidores e calcular a demanda por um produto ou serviço, sua empresa poderá conhecer as necessidades e expectativas dos seus clientes, entender a concorrência, identificar altas e baixas temporadas e entender quais situações afetam as vendas de um produto específico.
No nível econômico, existem diferentes tipos de demanda no mercado. Estes são os mais importantes:
Refere-se ao tipo mais simples de demanda, em que você identifica quantas pessoas estão planejando comprar um produto.
Exemplo de demanda direta: 5.000 pessoas preenchem um formulário para a pré-venda de um celular. Cada cadastro representa uma intenção explícita de compra, então o fabricante pode estimar uma demanda direta inicial de 5.000 unidades.
Está relacionada a produtos que são necessários para a fabricação de outros. Se a demanda pelo produto final aumentar, o insumo usado na sua fabricação também será afetado.
Exemplo de demanda indireta: As vendas de carros elétricos crescem em um país. Como consequência, sobe a demanda por estações de recarga. Para fabricá-las são necessários carregadores de alta potência, conectores, cabos grossos, transformadores e o software que as controla. A demanda por recarregar carros empurra, indiretamente, a demanda de todos esses componentes.
Nesse caso, não é possível atender à demanda por um produto ou serviço porque o consumidor não sabe da existência da solução, não pode pagar por ela ou o produto simplesmente não está disponível.
Exemplo de demanda latente: Antes de existirem serviços como Uber ou 99, milhões de pessoas precisavam de transporte porta a porta flexível, mas não sabiam que um aplicativo poderia resolver isso. A necessidade existia (latente), mas a solução não era visível nem acessível.
Se dois produtos se complementam ou estão diretamente relacionados, eles afetam a demanda um do outro.
Exemplo de demanda conjunta: Máquinas de café em cápsula e as cápsulas compatíveis. Quando sobem as vendas da máquina, aumenta a demanda por cápsulas, porque o produto principal depende do consumível complementar.
Varia de forma imprevisível ao longo do tempo, seja por tendências de moda, eventos ou fatores sazonais.
Exemplo de demanda irregular: Uma tempestade inesperada faz as pessoas correrem às lojas e as vendas de guarda-chuvas disparam em poucas horas. Quando o tempo melhora, as vendas caem de novo. Como esses picos sobem e descem sem um padrão estável, falamos de demanda irregular.
Apresenta-se com produtos ou serviços que seus consumidores em potencial tendem a evitar ativamente.
Exemplo de demanda negativa: As consultas ao dentista. Muita gente evita ir por medo da dor, ansiedade, más lembranças ou custo percebido. O serviço existe, a necessidade é real (saúde bucal), e mesmo assim os pacientes se recusam ativamente a marcar até que o problema fique grave.
É quando a demanda é igual ou maior que a capacidade de produção ou fornecimento de um produto ou serviço.
Exemplo de demanda plena: Uma fábrica pode produzir 10.000 pares de sapatos por mês e recebe pedidos confirmados de 10.000 a 10.500 pares mensais de forma sustentada. A demanda absorve toda a capacidade, ou a excede ligeiramente, mantendo a operação trabalhando a plena capacidade.
Ocorre quando a demanda é maior do que a oferta disponível em um mercado.
Exemplo de excesso de demanda: Entra à venda um lote de 50.000 ingressos para um show em estádio, mas 200.000 fãs tentam comprar. Os ingressos se esgotam em minutos e milhares ficam sem atendimento. A demanda supera a oferta disponível no curto prazo.
Aqui a demanda também é maior, mas em um nível que não é saudável nem sustentável para a sociedade. Alguns textos de marketing a chamam de demanda indesejada.
Exemplo de demanda excessiva: Durante uma crise, as pessoas compram e estocam fórmula infantil ou papel higiênico muito acima das suas necessidades reais. Isso não apenas supera a oferta: gera desabastecimento para outros, distorce preços e pode exigir racionamento ou intervenção regulatória.
Para fazer uma projeção e um planejamento da demanda, há várias variáveis a considerar, já que se buscam resultados claros e confiáveis. Para conseguir isso, é necessário considerar também a oferta.
Portanto, recomendamos que você considere as seguintes informações:
As principais informações sobre a oferta consistem em 4 aspectos, sobre os quais sua empresa deve sempre ter muita clareza para alcançar um crescimento sustentável:
Quando se trata de fatores que afetam a demanda por um produto ou serviço, há vários aspectos que todas as empresas devem levar em consideração, como:
A seguir compartilhamos as etapas que você deve seguir para calcular a demanda de um produto ou serviço, a fim de entender a quantidade que os consumidores estariam dispostos a comprar e, assim, entender melhor o mercado para alcançar um crescimento lucrativo.
Ser capaz de definir quais são suas fontes de dados e como você vai acessá-las para processá-las é a primeira etapa quando você está se preparando para analisar a demanda por um produto.
Examine sua demanda histórica para entender padrões e tendências. A quantidade de tempo a ser considerada dependerá da técnica que você deseja usar.
Lembre-se de que a demanda equivale à relação entre os pedidos recebidos e os produtos faturados. Se você não está fazendo o acompanhamento adequado das suas rupturas de estoque, precisa encontrar uma maneira de capturar essa informação — sem ela você não está calculando demanda, está calculando vendas.
Geralmente, a base para o cálculo da demanda por produtos ou serviços pode ser encontrada no ERP (Enterprise Resource Planning).
A aceleração do processo de transformação digital levou as empresas a adquirir novas ferramentas para suas vendas e cadeia de suprimentos, como WMS (Warehouse Management System), MRP (Material Requirements Planning), TMS (Transportation Management System) e CRM (Customer Relationship Management), entre outras.
Você deve considerar as ferramentas que podem ajudá-lo a ter um cálculo muito mais preciso da demanda por produtos ou serviços, dependendo de como você define seu processo.
É cada vez mais importante que as empresas consigam identificar quais fontes de dados externas podem impactar o comportamento do seu mercado, a fim de obter projeções mais precisas. É fundamental verificar se sua fonte de informação é estável e confiável antes de integrá-la ao processo de cálculo da demanda.
Se o seu setor exigir, você pode realizar pesquisas de mercado, como enquetes, entrevistas ou análise de dados secundários relacionados aos seus produtos ou serviços, para obter informações sobre preferências e comportamentos do mercado ou do consumidor.
Quanto mais variáveis e fontes de dados você quiser integrar, mais robusto deverá ser o seu método de processamento de informações — modelos de machine learning e deep learning, por exemplo — para conseguir extrair insights de valor de dados complexos e uma projeção de demanda mais confiável.
Tenha em mente que a qualidade dos resultados que você obtém dependerá da qualidade dos seus dados e das suas fontes.
Definir as variáveis relevantes para sua empresa vai ajudá-lo a estabelecer mecanismos que contribuam para melhorar a precisão no cálculo da demanda por produtos ou serviços.
Que outra variável pode afetar a demanda pelos seus produtos ou serviços e é considerada representativa no seu setor?
Existem vários modelos para projetar sua demanda, e selecionar o modelo certo é essencial nas empresas que desejam alcançar melhores resultados.
Você já percebeu que o mesmo produto pode se comportar de forma diferente dependendo de como você o analisa? Ou seja, se você observar o comportamento do mesmo produto em diferentes localizações, canais ou combinações, cada um deles pode ter um comportamento diferente.
Alguns terão um comportamento mais estável e outros mais variável, e é por isso que recomendamos não depender de um único modelo de previsão de demanda para seus produtos ou serviços.
Os métodos causais são técnicas utilizadas pelas empresas para projetar a demanda por produtos ou serviços por meio da identificação e da análise das causas que influenciam essa demanda.
y = α + βx
Por exemplo, imagine que você vai prever a demanda por sorvetes (y) com base na temperatura (x). Supondo que você coletou dados e quer calcular a regressão linear:
y (Quantidade de sorvetes a vender) = α (50) + β (2) × x (Temperatura)
Isso significa que, segundo o modelo, a cada grau adicional de temperatura espera-se que as vendas de sorvetes aumentem em 2 unidades.
y = α + β₁x₁ + β₂x₂ + β₃x₃
Tomando como base o exemplo anterior, a demanda por sorvetes (y) será prevista com base no preço (x₁), na publicidade (x₂) e na temperatura (x₃).
y = α + β₁ (Preço) + β₂ (Publicidade) + β₃ (Temperatura)
y (Demanda de sorvetes) = α (1.000) − (50 × Preço) + (20 × Publicidade) + (2 × Temperatura)
Isso significa que, segundo nosso modelo, espera-se que as vendas diminuam em 50 unidades a cada aumento no preço, aumentem em 20 unidades a cada unidade adicional de investimento em publicidade e aumentem em 2 unidades a cada grau adicional de temperatura.
Uma série temporal é um conjunto de dados que representa observações coletadas de forma sequencial, geralmente em intervalos uniformes.
y = ( Σ Demandaᵢ ) ÷ n
Onde:
Para o caso da projeção da demanda mensal de sorvetes, será feita uma média simples de 3 meses.
y = ( Vendast−3 + Vendast−2 + Vendast−1 ) ÷ 3
y = ( Demanda de janeiro + Demanda de fevereiro + Demanda de março ) ÷ 3
y = ( 50 + 30 + 60 ) ÷ 3 = 46,6 ↦ média de 47 sorvetes/mês
A média móvel simples é útil para suavizar as flutuações sazonais e destacar tendências de médio prazo na demanda ou nas vendas de produtos. Ajuste o valor de n conforme a qualidade dos dados e a frequência das flutuações que você deseja suavizar.
Ft+1 = α Yt + (1 − α) Ft
Quando α está próximo de 1, dá-se mais peso aos dados mais recentes, fazendo com que o modelo reaja rapidamente a mudanças na demanda. Quando α está próximo de 0, o modelo tende a ser mais estável e menos sensível a variações recentes. A seguir, um exemplo:
Se Yt = 100 sorvetes e Ft = 90 sorvetes para o mês atual, e se define α = 0,2 para dar mais peso aos valores recentes, o cálculo seria:
Ft+1 = 0,2 × 100 + (1 − 0,2) × 90 = 20 + 72 = 92 sorvetes projetados para o próximo período.
Yt = Tt + St + Et
O caso a seguir serve como exemplo de cálculo de demanda com decomposição de séries temporais:
Et = Yt − Tt − St = 100 − 90 − 20 = −10 sorvetes de erro residual.
Vejamos a seguir um exemplo que nos fornece os seguintes dados:
Previsão colaborativa = Previsão base + Aporte de Marketing + Aporte de Vendas + Aporte de Operações
= 1.000 + (1.000 × 0,10) + (1.000 × 0,05) − (1.000 × 0,03) = 1.120 sorvetes
Com parceiros comerciais ou clientes estratégicos, permite incluir sell-out, negociações e participação em campanhas de marketing, entre outros.
Com fornecedores, permite antecipá-los ou levar em conta as restrições que eles possam ter para atender aos níveis de serviço.
Esse cálculo da demanda permite levar em consideração, por exemplo, negociações que estão sendo realizadas com clientes, campanhas de marketing e outros fatores que podem afetar a área de operações e os níveis de serviço aos clientes.
Se você precisa analisar grandes volumes de informação e incluir variáveis complexas, o ideal é recorrer ao uso de modelos de inteligência artificial, pela velocidade e precisão com que conseguem processar grandes volumes de dados para projetar cenários prováveis de demanda.
Existem vários métodos de inteligência artificial para processar previsões de demanda, que podem incluir aprendizado supervisionado e não supervisionado: machine learning, redes neurais, deep learning e inteligência artificial generativa. Eles dão às empresas acesso a novos níveis de análise avançada, como modelos preditivos, prescritivos ou cognitivos.
Alguns dos mais usados são os modelos de machine learning, que passam por aprendizado supervisionado para que, a partir de dados históricos, possam aprender com os padrões e fazer projeções de demanda futura.
Estabelecer cenários é uma etapa fundamental no processo de cálculo da demanda por produtos ou serviços. Ao analisar diferentes situações hipotéticas ou possíveis mudanças, as empresas podem se antecipar e estar preparadas para várias situações que podem afetar a demanda.
Três termos são usados como sinônimos na prática e não são a mesma coisa. Vale separá-los antes de escolher uma fórmula:
Q = a − bP
Q = quantidade demandada · P = preço · a = demanda quando o preço é zero · b = sensibilidade ao preço
Se você vende a R$ 80 com a = 1.200 e b = 15, sua demanda projetada é Q = 1.200 − (15 × 80) = 0 unidades. Baixando para R$ 60, passa a 1.200 − 900 = 300 unidades. Esse é o exercício que diz até onde você pode mexer no preço antes que a demanda desabe.
Agora, o preço raramente é a única variável. Esta tabela ajuda a escolher o método que corresponde aos dados que você realmente tem:
É aqui que as equipes mais erram. Calcula-se um número, chama-se de "demanda" e ele acaba dirigindo três decisões diferentes que precisam de três números diferentes.
O cálculo da demanda é um processo dinâmico que requer uma compreensão profunda do mercado e uma adaptação constante às mudanças nas principais variáveis.
Usando ferramentas analíticas e modelos matemáticos, as empresas podem projetar a demanda por um produto ou serviço para tomar decisões com base em dados e, assim, atender às novas necessidades dos consumidores e se manter competitivo no mercado.
A fórmula base é a função linear de demanda Q = a − bP, onde Q é a quantidade demandada, P o preço, a a demanda quando o preço é zero e b a sensibilidade ao preço. Com o seu histórico de vendas você ajusta a e b — em planilha ou no seu ERP — e obtém uma previsão rápida. Se a sua demanda depende de mais variáveis além do preço, você passa para regressão múltipla ou para séries temporais. Integrando mais de 200 variáveis externas (clima, promoções, PIB), a precisão pode chegar a 95%.
A equação da demanda é a expressão matemática que relaciona o preço de um produto com a quantidade que o mercado está disposto a comprar: Q = a − bP. A função de demanda é essa mesma relação vista como função, e a equação de oferta e demanda é o ponto onde as duas curvas se cruzam (Qd = Qs), ou seja, o preço no qual o mercado se esvazia. Com a = 1.200 e b = 15, a R$ 60 sua demanda projetada é de 300 unidades.
Divida a demanda do período pelos dias ou meses efetivos de venda. Exemplo: você vendeu 3.000 unidades em 30 dias úteis ⇒ demanda diária = 100 unidades. Para a demanda mensal, some os pedidos recebidos mais os pedidos não atendidos do mês. Para a demanda anual, multiplique a mensal por 12 apenas se a sua demanda não tiver sazonalidade; se tiver, some os doze meses reais. Se a demanda for irregular, use uma média móvel de 7 dias para suavizar os picos.
Multiplique o número de compradores potenciais pela frequência de compra e pelo ticket médio. Se na sua região há 120.000 domicílios que compram galões de água, cada um compra 4 por mês e o preço é de R$ 25, a demanda de mercado é de 480.000 galões por mês, ou seja R$ 12 milhões. A sua demanda é esse número multiplicado pela sua participação de mercado: com 8%, 38.400 galões.
Demanda é a quantidade de um produto ou serviço que os consumidores estão dispostos a comprar a um preço determinado, em um período determinado. A demanda potencial é o teto teórico: o que seria comprado se todos os que podem comprar comprassem. A demanda real ou efetiva é o que de fato foi pedido, incluindo os pedidos que você não conseguiu atender. A diferença entre demanda real e vendas faturadas é a sua demanda insatisfeita, e é o número que diz quanto a ruptura de estoque está custando.
Sem histórico você não pode usar séries temporais. Trabalha-se com três fontes: a demanda de um produto análogo do seu portfólio, a demanda de mercado da categoria multiplicada pela participação que você espera capturar, e os sinais diretos de intenção de compra (pré-vendas, cadastros, listas de espera). Com essas três você monta um cenário base, um otimista e um pessimista, e os ajusta com a venda real das primeiras semanas.